Lula propõe regular ambiente digital e alerta para risco de interferência externa nas eleições

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (17) a criação de regras mais rígidas para o ambiente digital, com o objetivo de proteger o Brasil contra interferências externas, especialmente em ano eleitoral. A declaração foi feita em Barcelona, após reunião com o primeiro-ministro Pedro Sánchez.

Segundo Lula, é necessário avançar na regulamentação das plataformas digitais para garantir a soberania nacional e conter a disseminação de desinformação. “Precisamos regular tudo que for digital para proteger o país e evitar interferências externas, sobretudo em ano eleitoral”, afirmou.

O presidente também criticou o que chamou de “indústria da mentira” nas redes sociais, destacando que conteúdos falsos e discursos de ódio têm impactado a democracia em diversos países. Para ele, não é possível tratar esse tipo de prática como liberdade de expressão.

Encontro internacional e foco na desinformação

Durante a agenda na Europa, Lula participa de reuniões com líderes progressistas no âmbito do Fórum Democracia para Sempre, iniciativa criada em parceria com Pedro Sánchez em 2024. O encontro reúne chefes de Estado e representantes de países como México, Colômbia, Uruguai e África do Sul, com foco em temas como combate à desinformação, fortalecimento do multilateralismo e redução das desigualdades.

Autocrítica e desafios da democracia

Em seu discurso, o presidente também fez uma reflexão sobre o avanço do extremismo e reconheceu desafios enfrentados pelas democracias contemporâneas. Lula questionou possíveis falhas institucionais e a dificuldade de políticas públicas em atender às demandas atuais, especialmente de jovens.

Ele também mencionou o enfraquecimento de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas, apontando que muitas nações não têm respeitado suas diretrizes.

Agenda europeia continua

Após a passagem pela Espanha, Lula seguirá para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover. Em seguida, o presidente visitará Portugal, com encontros previstos com autoridades locais.

A comitiva brasileira inclui ministros e representantes de instituições estratégicas, como o BNDES, a Polícia Federal e a Fiocruz. O retorno ao Brasil está previsto para a próxima terça-feira (21).