Soraya assume comando do PSB em MS, declara apoio a Lula e expõe racha interno no partido

Nova liderança promete fortalecer sigla no estado, mas divergências sobre alianças políticas acirram disputa interna

A senadora Soraya Thronicke assumiu a direção estadual do Partido Socialista Brasileiro em Mato Grosso do Sul já imprimindo seu posicionamento político: apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, agora companheiro de partido, Soraya sinalizou alinhamento com a cúpula nacional da sigla — movimento que, no entanto, intensificou divisões internas no estado.

A mudança no comando ocorre em meio a divergências sobre os rumos eleitorais do PSB em Mato Grosso do Sul. Parte dos filiados defende apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP), enquanto outro grupo segue a orientação nacional de aproximação com o PT.

A nova presidente estadual afirmou que sua principal missão será fortalecer o partido durante o ciclo eleitoral, ampliando a presença da sigla nas assembleias legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo ela, a decisão foi consolidada após reunião com Alckmin e lideranças nacionais.

“O PSB é uma frente democrática que faz mais sentido para mim e para as pautas que defendo, principalmente as sociais e econômicas”, declarou a senadora.

Saídas e reposicionamentos

A guinada política provocou mudanças imediatas. O então presidente estadual, Paulo Duarte, deixou o partido e se filiou ao PSDB, alegando não concordar com o apoio a candidaturas ligadas ao PT.

Já o presidente municipal em Campo Grande, Carlos Augusto Borges, o Carlão, afirmou apoiar o governo Lula no cenário nacional, mas diverge no plano local, onde defende a continuidade da gestão de Riedel. Ele também anunciou que deve se afastar temporariamente da função partidária durante o período eleitoral.

Com isso, a vice-presidente municipal, Kelly Costa, deve assumir o comando do diretório na capital.

Estrutura em transição

A chegada de Soraya ao comando estadual deve provocar mudanças na estrutura partidária, especialmente em Campo Grande. Apesar do discurso de fortalecimento, lideranças locais admitem dificuldades na formação de chapas competitivas — especialmente para a Câmara dos Deputados.

Até o momento, não há definição sobre a composição de candidaturas federais, e a assessoria da senadora não confirmou se o partido conseguirá montar uma chapa completa.

Com o novo comando, o PSB em Mato Grosso do Sul entra em uma fase de reorganização, marcada por disputas internas e diferentes estratégias eleitorais, em um cenário que promete influenciar diretamente o desempenho da sigla nas próximas eleições.